sábado, 19 de novembro de 2011

CORDEL


CORDEL: O BAIRRO DO FAROL




Do Planalto da Jacutinga
Seu nome originou
Com o passar do tempo
Tornou-se moradia dos mais abastados
Lá reside a elite maceioense
Que convive com os pobres coitados
Que acolá persistem em morar


Ô! Bairro bom de morar
Quem morava em Bebedouro
Logo correu pra lá
Sem precisar se preocupar
Pois é só subir um pouquinho
Que no Farol logo vai chegar

No parque Gonçalves Ledo
A população ia se reunir
Para televisão em preto-em-branco assistir
Era uma festa só para o povo de Maceió
Que corria toda noite pra lá se divertir
Mas isso foi há muito tempo traz




Do auto do Mirante de São Gonçalo
Tudo pode se avistar
Desde da praia que se encontra com o mar
Até a leve brisa que lá fica a passar
Os namorados apaixonados lá gostam de ficar
E nas noites de lua cheia
Um brilhar intenso ilumina todo o lugar


Ô! Bairro bom de morar
No Farol de tudo podemos encontrar
É loja, shompping, supermercado, hospital,
Escolas, farmácias, bancos, academias...
Lá de tudo podemos encontrar


Mas olhe bem minha gente
No Farol do passado
Muito pouco podemos encontrar
O desenvolvimento veio
E não deixou quase nada de antigo no lugar


Mas sua população guarda na lembrança
O passado que não pode morrer
Porque esse bairro tem história
Pra muita gente nova conhecer
História que nestes pequenos versos não há de caber.

                                 Praça Gonçalves Ledo.
 


terça-feira, 15 de novembro de 2011

ANÁLISE DO FILME: BESOURO


Eu escolhe este filme devido ao contexto histórico que o mesmo 

aborda, o filme foi dirigido por João Daniel Tikhomiroff, e tem duração de 1h e 20.
O filme retrata a história de um capoeirista que virou herói, Manuel( Besouro) que é interpretado pelo ator Ailton Carmo. Neste filme a cultura afro-brasileira é contada pela óptica dos negros com a valorização de sua cultura, sua linguagem, seus costumes, sua religião, enfim, o filme narra a história de um povo que durante muito tempo teve sua voz silenciada pela “chibata” dos coronéis.
O filme tem como cenário o Recôncavo Baiano nos anos de 1924, época esta no qual a escravidão no Brasil tinha sido abolida há menos de 40 anos, mas os negros continuavam a ser tratados como escravos. O candomblé era reprimido e a capoeira proibida por lei. Os negros começaram a se organizar para terem seus direitos respeitado, no recôncavo quem liderava os negros era o Mestre Alípio, devido a sua luta, Mestre Alípio foi morto, mas ensinou à arte da capoeira para os jovens, e deixou seu discípulo Manuel( Besouro) para lutar contra a tirania dos coronéis e defender seu povo.


O enredo do filme é fascinante e instigante para quem assiste, como já falei acima, ele retratada a história de um menino que foi preparado desde de criança para lutar pelo seu povo, o menino escolheu seu nome de batismo na capoeira como besouro, ele escolheu este nome porque se identificou com um inseto preto que ao voar desafia as leis da física. Besouro é um filme de aventura, paixão, misticismo, coragem que envolve os quem o assistem em um enredo de luta contra o preconceito e a opressão que os negros vivenciavam anos depois da abolição da escravidão no Brasil.


No filme Besouro foi morto, mas deixou o seu legado para sempre e até hoje ele é cantado em rodas de capoeira por todo mundo. Em 1937, a capoeira passou a ser tolerada, em 1953 ela foi totalmente liberada, mas só em 2008, a capoeira foi decretada “Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira”, pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional( IPHAN), por seu potencial catalisador e agregador de símbolos nos aspectos fundamentais da vida( canto, luta, dança, jogo) e da cultura brasileira.


Em 2010, o Estatuto da Igualdade Racial( EIR) destaca que “a capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional no termos do art. 217 da Constituição Federal”. Primeiro parágrafo: “a atividade de capoeira será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. E no segundo parágrafo: “é facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos”.


Destaco aqui nesta análise do filme Besouro a importância de trazermos para a sala de aula filmes que retrate sem preconceito e nem mesmo exacerbação a história de luta dos negros no Brasil. É de suma relevância colocarmos em prática o que está posto na Lei 10.639 de 2003, no qual torna-se obrigatório desde da vigência desta lei, as escolas públicas e privadas o ensino dos conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileira, temática esta que está nos currículos do ensino fundamental e médio e deve ser desdobrada no Projeto Político Pedagógico das instituições.









A História da Minha Rua: meu mundo, minha identidade


    A rua onde moro há mais de dezoito anos fica localizada no bairro do Farol, na cidade de Maceió-AL. Este bairro é valorizado por estar na região central da cidade de Maceió e onde foi construído diversos estabelecimentos comerciais, industriais, bancos, lojas, supermercados de grande porte, escolas, farmácias, enfim uma infinidade de estabelecimentos que oferecem serviços direto e indireto no qual atende grande camada da população maceoense.
    O nome da rua é Rua General Portugal Ramalho, ela é muito conhecida por está próxima ao Hospital Portugal Ramalho, esta rua fica nos fundo do hospital. A rua só tem casa de um lado, as casas são cause todas do mesmo modelo, menos as que foram reformadas recentemente.
    Muitas das casas ainda permanecem com as mesmas estruturas física que há cinquenta anos atrás, antigamente os terrenos eram lotes e muitos deles foram invadidos. A construção das casas foi feita de forma desregular por isso que algumas são mais altas que outras.
    É uma rua tranquila, sem muita violência durante toda a minha infância foi criando nela e nunca presenciei nenhuma cena violência, realmente é uma rua muito pacata com moradores simples e trabalhadores, grande parte dos que residem nesta rua são de classe média baixa e alta. Os moradores mais antigos em sua grande parte já morreram só sobrevive ao tempo um ou dois idosos que resiste ao avançar das décadas e consequentemente da idade.
    No final de cada mês, sempre aos sábados os moradores da rua se juntam e fazem um encontro que é marco com muitas conversas, comidas, bingo e também comemoração dos aniversariantes do mês. Nesta rua há um elo que uni grande parte dos moradores, geralmente que sempre organiza estas reuniões são os moradores mais antigos da rua.
    Ano passado os moradores desta rua foram surpreendidos com a mudança repentina do nome da rua e sem nenhuma justificativa plausível para tal ato, pois esta rua é muito antiga no bairro e todos que moram na redondeza onde ela está localizada conhecem a rua pelo ponto de referência que é o Hospital Portugal Ramalho que é semelhante ao nome da rua. Atualmente o nome da rua é Ana Maria Coelho de Melo, esta rua ficava no bairro da Jatiúca, e nome da rua na qual eu resido foi para o bairro da Jatiúca com o nome de Rua General José Portugal Ramalho, é claro que os moradores não gostaram da mudança e todos fizeram um abaixo assinado para enviar para prefeitura da cidade de Maceió, com o objetivo que a prefeitura tome alguma decisão em relação a mudança dos nomes das ruas.
    Mesmo com os nomes trocados eu ainda continuo recebendo cartas e faturas de contas com o nome antigo da rua que ao meu ver é mais representativo para o contexto histórico da rua. Particularmente eu não sei informar se a prefeitura já tomou alguma decisão para a situação citada acima.
    É nesta rua que cresce e fez grandes amigos, e é com eles que eu posso contar em todos os momentos da minha vida. Nela a minha vida pessoal e profissional se constituiu, pois foi aqui que aos meus quinze anos de idade comecei a ministrar aulas particulares para os filhos dos meus vizinhos e esta experiência foi fundamental para que eu tomasse a decisão de fazer o curso de Pedagogia na UFAL.
    A autora ZAMBONI nos chama a atenção para o fato de constituirmos nossa identidade a partir de reflexões sobre o lugar a qual pertencemos e do qual fazermos parte como sujeitos históricos e sociais, e destaca que “o lugar é a segurança, a nossa casa, o nosso bairro, a nossa cidade e a ele estamos ligados fisicamente e emocionalmente, o lugar nos dá o sentimento de pertencer e concretiza a nossa identidade”. E a mesma ainda ressalta que “o estudo do lugar tem um papel essencial no ensino da história, como um espaço onde ocorre naturalmente à inter-relação dos elementos físicos, biológicos e humanos é o ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos”.

                                 Foto da rua em 1999  
                                 Foto da rua em 2011

AVENIDA FERNANDES LIMA: antes, hoje e futuramente

    A fonte histórica que velho tratar neste trabalho data de 26 de setembro do ano de 1993, que mostra a Avenida Fernandes Lima, esta avenida é mais movimentada da cidade de Maceió, porque todos os dias milhares de pessoas transitam nela para ir trabalhar, estudar, descer para o centro da cidade, subir para ir à Universidade Federal de Alagoas ou mesmo para ir ao aeroporto, pois bem é por meio desta avenida que os maceioenses se locomovem diariamente.
    A foto mostra Avenida Fernandes Lima em uma época que não tinha tantas pessoas residindo na cidade de Maceió, e que portanto o trânsito era bem tranquilo. Esta é uma realidade que infelizmente não vemos mais na cidade, pois devido ao crescimento econômico e populacional a cidade inchou e consequentemente esta avenida tornou-se quase inviável nos momento de pico que é 6hs às 7hs, 12hs e das 17hs às 19hs.
    O crescimento econômico da cidade ocorreu principalmente devido a vinda de grandes redes de supermercados e também do aumento de bens e serviços do setor terciário. Maceió, atualmente conta com dois grandes Shopping Center situados em pontos estratégicos e de grande circulação da população, mas já existe um projeto para a construção de mais um; temos também grandes lojas, academias, espaços de lazer diversificados, lanchonetes, bares, boates, restaurantes, enfim uma rede comercial que não para de crescer.
    Mas quem foi Fernandes Lima? Fernandes de Barros Lima, é natural de Passo de Camaragibe, nasceu em 1868, formou-se pela Faculdade de Direito do Recife, exerceu a advocacia durante um tempo, mas apesar da bem-sucedida carreira jurídica, ele preferiu a política. Foi governador de Alagoas em 1918, e reeleito em 1924, além disso foi senador, deputado federal e estadual, exercendo mandatos entre 1892 e 1930, faleceu em 1938, passando da vida para a eternidade.
    Existe um projeto em andamento na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió- SMTT, o representante da SMTT Sr. José Moura apresentou a proposta que tem como intuito a implantação do Veículo Leve sobre Trilho- VLT na Avenida Fernandes Lima, Moura disse que as obras devem ser concluída antes da Copa do Mundo de 2014. Abaixo uma imagem que mostra como ficará a Avenida Fernandes Lima depois das obras para instalação do VLT:




    A fonte histórica é um excelente recurso didático pedagógico quando bem planejado e utilizados nas aulas de história, podemos aqui ressaltar sua grande significância para problematização do passado e compreensão do presente. As fontes históricas ocupam lugar de grande destaque no PCNs da área de História como nos mostra Caimi( 2008, p. 141):
[...] Os PCNs apresentam diferentes exemplos, que compreendem tanto os registros escritos, quanto os expressos por meio de sons, gestos e imagens, a saber, filmes, músicas, gravuras, artefatos, edificações, fotografias, pinturas, esculturas, rituais, textos literários, poéticos e jornalísticos, anúncios, processos criminais, registros paroquiais, diários, arquivos familiares, dentre outros não nomeados aqui. [...] Quanto ao uso de tais documentos/ fontes em sala, há importante indicações metodológicas que preconizam o papel ativo do estudante nos procedimentos de compreensão e interpretação. Mais do que objetos ilustrativos, as fontes são trabalhadas no sentido de desenvolver habilidades de observação, problematização, análise, comparação, formulação de hipóteses, crítica, produção de sínteses, reconhecimento de diferenças e semelhanças, enfim, capacidades que favorecem a construção do conhecimento histórico numa perspectiva autônoma.

    Dentro desta perspectiva metodológica do trato pedagógico dado as fontes históricas podemos dá ênfase ao papel do aluno como sujeito crítico e ativo em todo o processo de ensino-aprendizagem, sendo assim as fontes históricas tornam-se instrumentos mediadores da aprendizagem.
    Ressalto também aqui neste trabalho a fotografia que utilizei, no qual mostra uma via de acesso que atualmente é a mais movimentada da capital alagoana, mas nem sempre foi assim. O uso da fotografia como fonte histórica nas aulas de história é de primordial importância para o estudo e entendimento do meio do qual fazermos parte com sujeitos e cidadãos. Priore revela tal importância:
Hoje, um fato é incontestável: a fotografia, em suas múltiplas formas, se afirma cada vez mais como um modo de expressão, de informação e de comunicação, íntegra, essencial e específica. [...] Mas como toda a forma de arte e de literatura, como todo o texto, a imagem fotográfica só existe plenamente se for investida por um leitor que lhe dê uma interpretação, operando desta maneira, uma re-criação, uma re-escritura. Tal valor agregado é igualmente tributário de um contexto no qual a fotografia é olhada e lida. Uma mudança de contexto equivale a uma mudança de interpretação e de leitura. [...] No espírito de muita gente, a fotografia está associada à ideia de documento. Quer dizer ela serve para testemunhar uma realidade, e em seguida, para lembrar a existência desta mesma realidade. ( PRIORE, 2005, p. 28- 29)

    Pois bem como podemos perceber a fotografia pode ser considerada um rico documento que mostra, revela o real parado e estático, só destacando que a realidade será percebida por meio da interpretação e apreensão do contexto do qual o sujeito se depara na sua apreciação. É relevante que as interpretações que surgirá da análise da fotografia demanda de uma serie de coisas que Priore nos mostra com bastante clareza “o tempo tem aqui um papel fundamental, em particular, do ponto de vista histórico e emocional, quando a fotografia é testemunha de mudanças, de transformações físicas e materiais, de desaparecimento de coisas ou de morte de entes queridos”.( 2005, p.29)
Agora mostrarei a fotografia que utilizei neste trabalho como fonte histórica:



Fonte: Maceió – 26/09/1993. Fotógrafo – Zé Ronaldo.

Abaixo fotos mais recente desta mesma avenida que mostra as mudanças físicas( como a construção de mais prédios comerciais) e também o aumento de veículos nesta via:










REFERÊNCIAS:

CAIMI, Flávia Eloisa. Fontes Históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar? Anos 90, Porto Alegre, v. 15, n. 28, p. 129- 150, dez. 2008.


PRIORE, Mary Del. Os registros da Memória; A fotografia como objeto de memória. In: Memória, Patrimônio e Identidade. Boletim 4 Ministério da Educação, 2005. p. 28- 32.



Outras Fontes:

http://bicicletadademaceio.blogspot.com

http://www.soalagoas.info/2011/09/maceio-e-supreendida-com-mais-um.html


http://www.alagoastempo.com.br/blogs/alan-rodrigues/286/2011/03/16/quem-foi-fernandes-lima.html


http://www.gabinetecivil.al.gov.br/institucional/ex-governadores/curriculos-govs/jose-fernandes-de-barros-lima

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A MINHA INFÂNCIA: redescobrindo a importância da brincadeira


RELATO DA MINHA INFÂNCIA


Nasce no interior de União do Palmares- AL, cidade natal dos meus pais, mas devido as oportunidades de emprego minha mãe veio para a capital trazendo-me juntamente com ela. Vivi em minha cidade de origem até os meus três anos de idade, depois eu vim para Maceió, e estou até hoje.
Eu fui uma criança muito alegre e espontânea, mas em relação a brincadeiras eu geralmente brincava sozinho porque a minha mãe não me deixava muito ir para a rua brincar com meus amigos, nem mesmo permitia que eles viessem para a minha casa brincar comigo.
Mas eu não fiquei frustrado por isso, apesar de que faz muita falta um amigo de verdade para brincar. Eu não me importava muito por não brincar com os meus amigos, porque tive a oportunidade de usar sem nenhum limite a minha imaginação para criar amigos imaginários e invisíveis, amigos esses que eu criava e recriava todas as tardes na hora da brincadeira. Kishimoto( 1996) diz que:
A brincadeira de faz-de-conta, também conhecida como simbólica, de representação de papéis ou sociodramática, é a que deixa mais evidente a presença da situação imaginária. Ela surge com o aparecimento da representação e da linguagem, em torno de 2/3 anos, quando a criança começa a alterar o significado dos objetos, dos eventos, a expressar seus sonhos e fantasias e a assumir papéis presentes no contexto social. O faz-de-conta permite não só a entrada no imaginário, mas a expressão de regras implícitas que se materializam nos temas das brincadeiras. É importante registrar que o conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas crianças, em diferentes contextos. ( p. 39)
Tenho lembranças de uma árvore que era a minha melhor amiga, pois esta mesma árvore por muitas vezes se transformava em diversas coisas, ora um combatente de guerra ou um super-herói como Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, enfim todos os personagens que eu assistia na televisão e achava um máximo, a minha admiração era tanta que muitas vezes eu até mim sentia um deles com super- poderes, visão raio- laser. Levinzon( 1989) mostra que:
Brincando, portanto, a criança coloca-se num papel de poder, em que ela pode dominar os vilões ou as situações que provocariam medo ou que a fariam sentir-se vulnerável e insegura. A brincadeira de super-herói, ao mesmo tempo que ajuda a criança a construir a autoconfiança, leva-a a superar obstáculos da vida real, como vestir-se, comer um alimento sem deixar cair, fazer amigos, enfim, corresponder às expectativas dos padrões adultos.

Bomtempo( 1996) complementa expondo que:
Finalmente a brincadeira de super-herói pode ser considerada uma forma especializada de jogo de papéis ou sociodramático. Entretanto, enquanto encorajamos as crianças a desenvolverem outros tipos de jogos de pápeis, brincar de super-herói é, muitas vezes, visto como prejudicial, caótico ou violento. Esta brincadeira, porém, não é má, ao contrário, oferece numerosas oportunidades para a criança obter um sentido de domínio, bem como prevê benefícios comumente associados ao jogo dramático. Assim as crianças aumentam suas habilidades lingüísticas, são levadas a solucionar melhor os problemas e desenvolvem a cooperação. ( p. 66)
Se a árvore do quintal da minha casa falasse eu estaria perdido, pois foram tantos os segredos revelados para ela. Esta árvore foi uma grande amiga durante muitos anos da minha vida, mas infelizmente o meu pai teve que cortá-la devido ao tempo que ela tinha e também por causa do cupim que a deixou totalmente oca por dentro.
Outra brincadeira que eu adorava era brincar de escola, como geralmente eu brincava sozinho, eu sempre era o professor. Para brincar eu pegava um pedaço de de madeira que se transformava em quadro e alguns pedaços de gesso para ser o giz, eu tinha diversos livros e vários alunos imaginários, quando os meus primos e minhas primas iam para minha casa a nossa brincadeira sempre era de escola, tinha até briga para ser o professor, mas sempre era uma deliciosa diversão.
Suponho que venha daí o meu interesse pela docência, eu gostava tanto de brincar de escola e de ser professor, que hoje estou fazendo um curso para ser pedagogo.
Benjamim( 1989) faz várias reflexões acerca do mundo mágico das crianças fazendo alguns apontamentos para determinados aspectos desse universo infantil tais como: a criança que lê, a que chega atrasada, a que lambisca, a que anda de carrossel, a desordeira e a criança que se esconde.
E dentre esses diversos aspectos eu destaco o dar leitura, pois é algo que devemos lançar um olhar mais atento porque infelizmente nem todas as crianças tem acesso a livros de literatura, principalmente as oriundas das camadas mais pobre da nossa sociedade. Esta fala me remete ao projeto de estágio que desenvolve juntamente com dois colegas, em uma instituição situada no bairro do Clima Bom, que atende a Educação Infantil.
O Projeto intitulado “A leitura na Educação Infantil: o desenvolvimento do hábito e do gosto pela leitura”, no qual a justificativa pela temática se dá pelo o que expus acima, assim como a demanda expressa da instituição, e mais restritamente a pedido da professora da turma que acompanhei, como também de questões detectadas durante as observações inicias tais como: a falta de estímulo e concentração das crianças para leitura, o trato didático- pedagógico dado pela docente para o ato da leitura e da ausência de uma cultura letrada na escola.
A escola possui uma sala de leitura, porém o ambiente desta sala é desagradável e desinteressante para as crianças. O mobiliário da sala deveria ser adequado para cada faixa etária das crianças assim como: os livros, as revistas, os gibis, os gêneros textuais, os títulos.
A sala de leitura é pequena, porém o espaço que fica enfrente a esta sala é grande e bem ventilado, aconchegante, pois bem é um espaço que pode e deveria ser totalmente aproveitado na escola. Contudo isto na prática não ocorre, as leituras e os momentos para leitura são todos feitos na sala de aula; como se a sala de aula fosse o único espaço propício para leitura. E ressalto também que as salas de aula desta instituição são todas pequenas para a quantidade de alunos que a mesma atende.
Segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil- RCNEI( 1998, vol. 3), organizando o espaço físico de forma atraente e aconchegante, com almofadas, iluminação adequada, livros de diversos gêneros, de diferentes autores, obras, revistas, histórias em quadrinhos, jornais, trabalhos de outras crianças etc, sendo que as crianças devem ter livre acesso a este espaço.
Em relação a organização do ambiente para leitura Maricato( 2005, p. 26) defende que:
Ao contrário de uma biblioteca para adultos( silêncio e imobilidade), na biblioteca infantil as crianças podem circular, falar e interagir com o adulto que o ajudará a encontrar o caminho para a leitura. Um espaço no qual a criança tem que ficar quieta sentada na cadeira e sem se relacionar com os livros a criança acaba associando a leitura à obrigação e não a um ato prazeroso.

Para que o momento da leitura se torne agradável é preciso que o ambiente da sala de leitura, da sala de aula, ou qualquer outro espaço da escola, seja um ambiente propício para o desenvolvimento dessa atividade. Assim como mostra Verdini:
Para que o espaço da sala de aula seja lugar de prazer e de condições necessárias às diferentes aprendizagens, inclusive a da leitura, é preciso oferecer mínimas condições de ambientação, de cuidado com a sala, de sua preparação e adequação às práticas pedagógicas. O espaço já conta ele mesmo,como elemento formador, como referencial de posturas e aprendizagens. Daí que um lugar reservado para ser o canto de leitura revela- se instrumento importante à formação de leitores, podendo ter pequeno e selecionado acervo, a ser cuidado e utilizado por todos, em momentos programados, e também aproveitado pelos que terminam antes as atividades do dia.

Ao propor este Projeto de Intervenção voltado para a leitura na Educação Infantil eu estava visando o ato da leitura em seus mais diversos contextos e gêneros textuais, sendo estes adequados para um trabalho dinâmico, prazeroso e reflexivo junto com as crianças, pois sabemos que as mesmas não tábulas rasas, mas sim portadoras de todo um aparato intelectual, cognitivo e cultural. Por isso consegue realizar um trabalho consistente, produtivo e mais que tudo um trabalho criativo com as crianças.
A experiência deste estágio veio para que eu pudesse refletir e questionar alguns pontos importantes referente a Educação Infantil, assim como o respeito as necessidades e aos limites das crianças, o mundo infantil, e acima de tudo desenvolver um olhar aguçado e crítico ao observar as crianças e os seus comportamentos.
Guardo em meu coração esta incrível e facinante experiência, o trabalho com esta temática que desenvolve em paceria com colegas que compartilham deste mesmo sentimento, nesta instituição de Educação Infantil nos proporcionou colacarmos em prática tudo o que aprendemos na Universidade e nas nossas vivências e experiências de vida como educadores.
Observei durante o desenvolvimento das intervenções que as crianças constroem a sua personalidade também enquanto brincam, pois as mesmas possuem atitudes e comportamentos que a definirão futuramente. Algumas dessas crianças apresentaram atitudes de liderança, de rejeição, de timidez, de egocentrismo e de companheirismo, ou seja, as crianças criam, recriam, produz e reproduz comportamentos enquanto brincam, que irão perpetuar durante toda a sua vida, e que irá definir a sua sua personalidade e o seu comportamento com e para as outras pessoas do seu meio social.


Na escola Bom Pastor








Referências



BENJAMIM, W. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1989.
BOMTEMPO, Edda. A brincaceira de faz-de-conta: lugar do simbolismo, da representação, do imaginário. In: KISHIMOTO, T. M.( org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.
KATO, Mary A. Como a criança aprende a ler: uma questão platoniana. In: ZILBERMAM, Regina; SILVA, Ezequiel Theodoro da (orgs). Leitura: perspectivas interdisciplinares. 5ª. ed. São Paulo: Ática, 2004.
KISHIMOTO, T. M.( org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1996.
LEVINZON, G. K. O significado dos super-heróis para as crianças. Dissertação de Mestrado apresentada ao Departamento de Psicologia Social e do Trabalho – IPUSP, 1989.
MARICATO, Adriana. O prazer da leitura se ensina. Criança. Brasília. s/v, n. 40, p. 18-26, set. 2005.

Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.

VERDINI, Antonia de Sousa. A sala de aula como espaço de leitura significativa. ONG Leia Brasil, 2006 . Disponível em: